Abuso online na Copa 2026: FIFA envia mil ameaças à polícia e sinaliza mais de 7 milhões de posts
Relatório da entidade mostra que sistema de monitoramento detectou volume recorde de conteúdo ofensivo nas redes sociais durante o torneio
Por Edinei Campos
Redacao Amazonia Onze

A FIFA divulgou neste domingo (19) um relatório atualizado sobre o combate ao abuso online durante a Copa do Mundo de 2026, que está sendo realizada nos Estados Unidos, no México e no Canadá. De acordo com a entidade, mais de 7 milhões de publicações e comentários foram sinalizados pelo sistema de monitoramento da competição, um número que representa um aumento exponencial em relação à edição de 2022, no Catar.
O Serviço de Proteção às Redes Sociais (SMPS, na sigla em inglês), ferramenta desenvolvida pela FIFA para proteger jogadores, técnicos, árbitros e suas famílias, utilizou inteligência artificial aliada à moderação humana para analisar o conteúdo. Do total detectado, mil ameaças diretas foram encaminhadas às autoridades policiais de diferentes países para investigação.
O aumento do volume de abusos está relacionado, em parte, à expansão do torneio: pela primeira vez, 48 seleções disputam a Copa, contra 32 na edição anterior. A maior quantidade de jogos e de atletas expostos nas redes sociais ampliou o alcance do conteúdo analisado.
Durante a fase de grupos, a FIFA já havia informado que os abusos online haviam aumentado 13 vezes em comparação com 2022, somando 89 mil publicações abusivas confirmadas por moderadores humanos. Destas, 11% eram motivadas por questões raciais (um aumento de 3 pontos percentuais em relação ao Catar). A entidade classificou o material como "objetivamente pior e mais ofensivo".
O SMPS também atuou de forma preventiva: cerca de 181 mil comentários de ódio foram ocultados automaticamente nas contas oficiais das seleções, e mais de 2 milhões de publicações, incluindo spam e conteúdo de bots, foram moderadas. Aproximadamente 1.000 contas foram encaminhadas para investigação mais aprofundada.
Disponível para todas as seleções, jogadores, técnicos e árbitros que participam de torneios da FIFA, o SMPS protege esses profissionais e seus seguidores contra conteúdos discriminatórios e ofensivos, afirmou a entidade em comunicado.
Casos recentes chamaram a atenção para o problema. Os jogadores da Holanda Justin Kluivert, Quinten Timber e Crysencio Summerville sofreram insultos racistas nas redes sociais após perderem pênaltis na derrota para o Marrocos nas oitavas de final.
A FIFA destacou que, como parte da evolução do serviço, o SMPS também reúne evidências para as autoridades policiais. "Mais de 100 casos foram identificados que atendem aos critérios legais para a abertura de processos judiciais contra os responsáveis", informou a entidade em relatório anterior.
*Fonte: Media Talks/UOL*
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