Amazônia Onze
bannersPublicidade
Inicio>Economia>Mapeamento inédito mostra avanço da bioeconomia na Amazônia, mas aponta gargalos para ampliar impacto
Economia

Mapeamento inédito mostra avanço da bioeconomia na Amazônia, mas aponta gargalos para ampliar impacto

Comunidades já sustentam economia baseada na floresta em pé, mas enfrentam dificuldades de acesso a crédito, infraestrutura e mercado

Edinei Campos

Por Edinei Campos

Redacao Amazonia Onze

21 de ago. de 2026
Foto 1
1/7

Divulgação

Um mapeamento inédito da bioeconomia na Amazônia revela que comunidades amazônicas já mantêm uma economia baseada na floresta em pé e em produtos da sociobiodiversidade. Apesar do avanço, gargalos estruturais ainda limitam a expansão dessas iniciativas.

O relatório "Bioeconomia e Territórios da Amazônia" foi desenvolvido pelo programa EcoAm — Fomentando Ecossistemas de Impacto na Amazônia, criado em 2024 pelo Impact Hub Manaus e pelo BID Lab, laboratório de inovação do Banco Interamericano de Desenvolvimento. A publicação está disponível gratuitamente.

O levantamento ouviu mais de 100 lideranças indígenas, empreendedores, cooperativas, universidades, órgãos públicos e organizações da sociedade civil. Também foram realizados três encontros presenciais chamados "Vozes que EcoAm".

OS TERRITÓRIOS

O estudo analisou três regiões com perfis distintos:

Ji-Paraná (RO) — A bioeconomia está ligada à agricultura familiar e a cadeias como café, cacau, castanha, mel e pescado. Foram identificados pelo menos 25 empreendimentos ativos. O principal desafio é ampliar canais de comercialização e incorporar tecnologias.

Rio Branco (AC) — O território abriga cerca de 81 startups de bioeconomia, segundo o Sebrae, atuando em alimentos, cosméticos, biotecnologia e nanotecnologia. O desafio é fortalecer a conexão entre pesquisa, mercado e investimentos.

Tefé (AM) — A bioeconomia está no cotidiano das populações ribeirinhas, com destaque para a farinha de Uarini e o manejo sustentável do pirarucu. Mulheres empreendedoras e jovens articulam conhecimentos tradicionais e novas tecnologias.

DESAFIOS COMPARTILHADOS

O relatório aponta obstáculos comuns aos três territórios: acesso a crédito, infraestrutura, assistência técnica, logística, comercialização e integração de políticas públicas.

Em Ji-Paraná, a fuga da juventude para os centros urbanos ameaça a continuidade cultural das comunidades. "Se a gente perder a nossa cultura, por mais que tenha Gavião formado em Direito, em Medicina (...) Se não tiver a base cultural forte, os 'Gavião' perde a sua identidade", afirmou Josias Sebirope Gavião, fundador da Associação Indígena Zavidjaj Djiguhr (ASSIZA).

Em Rio Branco, apesar de 85% da região seguir sob a lógica da floresta, há fragmentação institucional e distribuição desigual de valor. "As políticas precisam ser construídas junto com quem de fato vive e conhece a floresta, não apenas no papel", disse Elenira Mendes, filha do sindicalista Chico Mendes.

O programa EcoAm já apoiou 17 negócios da bioeconomia amazônica e destinou R$ 1 milhão em investimentos por meio de duas edições do Lab de Impacto. O Instituto Ñambi foi responsável pela metodologia da pesquisa. Acesse AQUI o relatório completo.

Impacto econômico
Cobertura: Amazonas, Brasil

Comentários

Faça login para deixar um comentário.Entrar

Seja o primeiro a comentar.

Noticias Relacionadas

Ver tudo >