Mapeamento inédito mostra avanço da bioeconomia na Amazônia, mas aponta gargalos para ampliar impacto
Comunidades já sustentam economia baseada na floresta em pé, mas enfrentam dificuldades de acesso a crédito, infraestrutura e mercado
Por Edinei Campos
Redacao Amazonia Onze
1/7Divulgação
Um mapeamento inédito da bioeconomia na Amazônia revela que comunidades amazônicas já mantêm uma economia baseada na floresta em pé e em produtos da sociobiodiversidade. Apesar do avanço, gargalos estruturais ainda limitam a expansão dessas iniciativas.
O relatório "Bioeconomia e Territórios da Amazônia" foi desenvolvido pelo programa EcoAm — Fomentando Ecossistemas de Impacto na Amazônia, criado em 2024 pelo Impact Hub Manaus e pelo BID Lab, laboratório de inovação do Banco Interamericano de Desenvolvimento. A publicação está disponível gratuitamente.
O levantamento ouviu mais de 100 lideranças indígenas, empreendedores, cooperativas, universidades, órgãos públicos e organizações da sociedade civil. Também foram realizados três encontros presenciais chamados "Vozes que EcoAm".
OS TERRITÓRIOS
O estudo analisou três regiões com perfis distintos:
Ji-Paraná (RO) — A bioeconomia está ligada à agricultura familiar e a cadeias como café, cacau, castanha, mel e pescado. Foram identificados pelo menos 25 empreendimentos ativos. O principal desafio é ampliar canais de comercialização e incorporar tecnologias.
Rio Branco (AC) — O território abriga cerca de 81 startups de bioeconomia, segundo o Sebrae, atuando em alimentos, cosméticos, biotecnologia e nanotecnologia. O desafio é fortalecer a conexão entre pesquisa, mercado e investimentos.
Tefé (AM) — A bioeconomia está no cotidiano das populações ribeirinhas, com destaque para a farinha de Uarini e o manejo sustentável do pirarucu. Mulheres empreendedoras e jovens articulam conhecimentos tradicionais e novas tecnologias.
DESAFIOS COMPARTILHADOS
O relatório aponta obstáculos comuns aos três territórios: acesso a crédito, infraestrutura, assistência técnica, logística, comercialização e integração de políticas públicas.
Em Ji-Paraná, a fuga da juventude para os centros urbanos ameaça a continuidade cultural das comunidades. "Se a gente perder a nossa cultura, por mais que tenha Gavião formado em Direito, em Medicina (...) Se não tiver a base cultural forte, os 'Gavião' perde a sua identidade", afirmou Josias Sebirope Gavião, fundador da Associação Indígena Zavidjaj Djiguhr (ASSIZA).
Em Rio Branco, apesar de 85% da região seguir sob a lógica da floresta, há fragmentação institucional e distribuição desigual de valor. "As políticas precisam ser construídas junto com quem de fato vive e conhece a floresta, não apenas no papel", disse Elenira Mendes, filha do sindicalista Chico Mendes.
O programa EcoAm já apoiou 17 negócios da bioeconomia amazônica e destinou R$ 1 milhão em investimentos por meio de duas edições do Lab de Impacto. O Instituto Ñambi foi responsável pela metodologia da pesquisa. Acesse AQUI o relatório completo.
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