Amazônia Onze
bannersPublicidade
Inicio>PARÁ>Aos 65 anos, idoso realiza sonho de se formar em Fisioterapia e passa a atender ao lado da filha no Pará
PARÁ

Aos 65 anos, idoso realiza sonho de se formar em Fisioterapia e passa a atender ao lado da filha no Pará

Ex-terapeuta holístico de Marabá enfrentou barreiras financeiras e geográficas antes de ingressar no ensino superior.

Edinei Campos

Por Edinei Campos

Redacao Amazonia Onze

30 de set. de 2026
Aos 65 anos, idoso realiza sonho de se formar em Fisioterapia e passa a atender ao lado da filha no Pará

MARABÁ (PA) — Aos 65 anos, Pedro Rodrigues decidiu concretizar um projeto antigo que havia ficado em segundo plano durante a maior parte da vida: cursar uma graduação na área da saúde. Morador de Marabá, no sudeste do Pará, ele trabalhou durante 35 anos como terapeuta holístico, atendendo pacientes em clínicas e a domicílio. Movido pelo interesse em compreender o corpo humano, ele concluiu a faculdade de Fisioterapia e, hoje, atua na profissão ao lado da filha.

A conquista ganha um significado especial às vésperas do Dia do Idoso, celebrado em 1º de outubro, ao destacar uma trajetória de aprendizado que não parou com o passar dos anos.

O desejo de fazer o ensino superior existia há décadas, mas limitações financeiras, a falta de opções na cidade e a distância de outros centros urbanos adiaram o plano. A oportunidade surgiu quando a faculdade UNIASSELVI abriu a graduação de Fisioterapia no município. Antes disso, Pedro chegou a iniciar o curso de Biomedicina, mas mudou de área assim que a nova opção foi ofertada.

"Eu sempre tive vontade de fazer uma graduação na área da saúde. Sempre gostei de pesquisar, de aprender e de buscar conhecimento. Durante muitos anos, fui estudando por conta própria. Quando a Fisioterapia chegou a Marabá, percebi que era a oportunidade de finalmente realizar esse sonho", relembra Pedro.

### Surpresa entre amigos e apoio em casa

A escolha de voltar às salas de aula dividiu opiniões entre conhecidos. Enquanto alguns amigos consideraram a decisão uma "loucura" para aquela etapa da vida, o apoio dentro de casa foi imediato. A esposa e a filha incentivaram o projeto desde o início.

A filha de Pedro cresceu acompanhando a rotina do pai e escolheu a Fisioterapia como profissão, formando-se e especializando-se na área ainda em 2013. Anos depois, os caminhos dos dois se cruzaram também no campo profissional.

"Ela se formou em 2013 e eu, em 2024. Poder trabalhar ao lado dela é uma alegria muito grande. Nós aprendemos um com o outro e temos a oportunidade de unir experiências e conhecimentos", comemora.

O 'vovô' da turma

Durante a faculdade, o estudante ganhou um apelido carinhoso dos colegas e ficou conhecido como o "vovô" do grupo. A diferença de idade não impediu a integração com os jovens. Com décadas de prática na saúde, ele frequentemente contribuía nas discussões em sala de aula, dividindo aprendizados com colegas e docentes.

"Cheguei à faculdade com uma experiência de muitos anos, mas nunca fui para lá achando que sabia tudo. Eu ensinei algumas coisas, mas também aprendi muito com os professores e com os meus colegas. Essa troca foi uma das partes mais importantes da graduação", avalia.

Após a graduação, Pedro não parou de estudar: já concluiu cursos de pós-graduação e prepara o lançamento de um livro de memórias para registrar os principais marcos de sua trajetória.

Para o fisioterapeuta, a rotina de estudos e trabalho é uma forma de manter o propósito de vida ativo.

"A Fisioterapia é mais do que uma profissão para mim, é um chamado de vida. Ajudar a aliviar a dor das pessoas é também ajudar a transformar vidas. Aprendi que o sucesso passa muito pela cautela, pela atenção e pela sensibilidade. Por isso, digo que não é a idade que resume uma pessoa, mas a sua vontade de continuar aprendendo", conclui.

Impacto local
Cobertura: Pará

Comentários

Faça login para deixar um comentário.Entrar

Seja o primeiro a comentar.

Noticias Relacionadas

Ver tudo >