Aos 65 anos, idoso realiza sonho de se formar em Fisioterapia e passa a atender ao lado da filha no Pará
Ex-terapeuta holístico de Marabá enfrentou barreiras financeiras e geográficas antes de ingressar no ensino superior.
Por Edinei Campos
Redacao Amazonia Onze

MARABÁ (PA) — Aos 65 anos, Pedro Rodrigues decidiu concretizar um projeto antigo que havia ficado em segundo plano durante a maior parte da vida: cursar uma graduação na área da saúde. Morador de Marabá, no sudeste do Pará, ele trabalhou durante 35 anos como terapeuta holístico, atendendo pacientes em clínicas e a domicílio. Movido pelo interesse em compreender o corpo humano, ele concluiu a faculdade de Fisioterapia e, hoje, atua na profissão ao lado da filha.
A conquista ganha um significado especial às vésperas do Dia do Idoso, celebrado em 1º de outubro, ao destacar uma trajetória de aprendizado que não parou com o passar dos anos.
O desejo de fazer o ensino superior existia há décadas, mas limitações financeiras, a falta de opções na cidade e a distância de outros centros urbanos adiaram o plano. A oportunidade surgiu quando a faculdade UNIASSELVI abriu a graduação de Fisioterapia no município. Antes disso, Pedro chegou a iniciar o curso de Biomedicina, mas mudou de área assim que a nova opção foi ofertada.
"Eu sempre tive vontade de fazer uma graduação na área da saúde. Sempre gostei de pesquisar, de aprender e de buscar conhecimento. Durante muitos anos, fui estudando por conta própria. Quando a Fisioterapia chegou a Marabá, percebi que era a oportunidade de finalmente realizar esse sonho", relembra Pedro.
### Surpresa entre amigos e apoio em casa
A escolha de voltar às salas de aula dividiu opiniões entre conhecidos. Enquanto alguns amigos consideraram a decisão uma "loucura" para aquela etapa da vida, o apoio dentro de casa foi imediato. A esposa e a filha incentivaram o projeto desde o início.
A filha de Pedro cresceu acompanhando a rotina do pai e escolheu a Fisioterapia como profissão, formando-se e especializando-se na área ainda em 2013. Anos depois, os caminhos dos dois se cruzaram também no campo profissional.
"Ela se formou em 2013 e eu, em 2024. Poder trabalhar ao lado dela é uma alegria muito grande. Nós aprendemos um com o outro e temos a oportunidade de unir experiências e conhecimentos", comemora.
O 'vovô' da turma
Durante a faculdade, o estudante ganhou um apelido carinhoso dos colegas e ficou conhecido como o "vovô" do grupo. A diferença de idade não impediu a integração com os jovens. Com décadas de prática na saúde, ele frequentemente contribuía nas discussões em sala de aula, dividindo aprendizados com colegas e docentes.
"Cheguei à faculdade com uma experiência de muitos anos, mas nunca fui para lá achando que sabia tudo. Eu ensinei algumas coisas, mas também aprendi muito com os professores e com os meus colegas. Essa troca foi uma das partes mais importantes da graduação", avalia.
Após a graduação, Pedro não parou de estudar: já concluiu cursos de pós-graduação e prepara o lançamento de um livro de memórias para registrar os principais marcos de sua trajetória.
Para o fisioterapeuta, a rotina de estudos e trabalho é uma forma de manter o propósito de vida ativo.
"A Fisioterapia é mais do que uma profissão para mim, é um chamado de vida. Ajudar a aliviar a dor das pessoas é também ajudar a transformar vidas. Aprendi que o sucesso passa muito pela cautela, pela atenção e pela sensibilidade. Por isso, digo que não é a idade que resume uma pessoa, mas a sua vontade de continuar aprendendo", conclui.
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