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Estudo inédito aponta gargalos na regularização ambiental e caminhos para a competitividade na Amazônia e no Cerrado

Levantamento do IPAM e da CNI mostra que a agropecuária predomina em mais de 70% dos municípios dos dois biomas; validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) ainda avança de forma desigual.

Edinei Campos

Por Edinei Campos

Redacao Amazonia Onze

29 de set. de 2026
Estudo inédito aponta gargalos na regularização ambiental e caminhos para a competitividade na Amazônia e no Cerrado

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançaram o estudo *"Cadeias Produtivas, Indústria e a Implementação do Código Florestal: Subsídios Estratégicos para Apoiar a Conformidade Ambiental e Competitividade Brasileira"*. A publicação analisa os avanços e entraves na aplicação da Lei nº 12.651/2012 na Amazônia e no Cerrado, além de indicar regiões prioritárias para reduzir riscos socioambientais e impulsionar setores como soja, carne bovina, silvicultura e bioeconomia.

Para mapear os gargalos e as oportunidades, os pesquisadores cruzaram dados sobre produção agropecuária, desmatamento, situação fundiária, implementação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), áreas com necessidade de recuperação e trechos com vegetação nativa conservada além do exigido por lei.

Segundo o levantamento, o peso do setor produtivo é determinante: a agropecuária é a principal atividade econômica em 83% dos municípios da Amazônia e em 74% das cidades do Cerrado.

Durante o evento de lançamento na sede da CNI, em Brasília, a diretora de Políticas Públicas do IPAM, Gabriela Savian, destacou que o diagnóstico permite definir métricas e ações prioritárias entre o governo e o setor privado para comprovar a sustentabilidade da produção nacional no mercado global.

Na mesma linha, Mário Cardoso, gerente de Recursos Naturais da CNI, reforçou que a credibilidade do país depende da aplicação prática da lei. "O resultado que a gente deve comemorar não é a legislação, não é a norma, mas a implementação daquilo que a sociedade se colocou como regra de conduta. Quando a gente não consegue comprovar que a nossa produção não é proveniente de desmatamento, isso se torna um problema de credibilidade do Brasil no mercado internacional", afirmou.

Validação do CAR expõe disparidades regionais

A análise aponta uma grande assimetria no processo de validação do CAR entre os estados:

  • Cerrado: Enquanto São Paulo e Mato Grosso do Sul já avaliaram mais de 60% dos imóveis rurais cadastrados, estados na fronteira agrícola recente como Tocantins, Piauí e Bahia não chegam a 1% de registros analisados.
  • Amazônia: O Pará lidera o ritmo de análise, com quase metade dos registros avaliados.

Contudo, os pesquisadores alertam que passar pela análise do CAR é apenas a primeira etapa. A maioria dos imóveis avaliados ainda aguarda regularização ambiental efetiva, esbarrando em burocracia e desafios práticos no campo.

"Implementar o Código Florestal é também uma estratégia de competitividade. O desafio agora é transformar informações territoriais em prioridades, investimento e segurança para as cadeias produtivas", pontuou Jarlene Gomes, pesquisadora do IPAM e coordenadora do estudo.

Oportunidades econômicas e mercado bilionário

A adequação à legislação ambiental também revela potencial econômico para a conservação e restauração:

  • Geração de empregos: Amazônia e Cerrado somam cerca de 20 milhões de hectares de Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente (APPs) que precisam ser recuperados ou compensados. A restauração de 20% a 50% desse total pode gerar entre 700 mil e 1,9 milhão de empregos na Amazônia e até 1,2 milhão no Cerrado.
  • Mercado de Cotas de Reserva Ambiental (CRA): Os dois biomas abrigam cerca de 70 milhões de hectares de vegetação nativa conservada além do mínimo legal. Considerando o valor de referência de R$ 500 por hectare ao ano, a negociação desse excedente via CRA poderia movimentar até R$ 20,6 bilhões anualmente.

O relatório conclui que a articulação entre poder público, setor privado e instituições financeiras é essencial para transformar a regularização em uma agenda compartilhada de desenvolvimento, rastreabilidade e competitividade no mercado internacional.

Sustentabilidade
Cobertura: Brasil, Amazonas

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