Linha de transmissão de 98 km deve reduzir em 90% emissões de operação da MRN no Pará
Estrutura conectará a mina de bauxita em Porto Trombetas ao Sistema Interligado Nacional e inclui travessia de 5,2 km sobre o Rio Trombetas
Por Edinei Campos
Redacao Amazonia Onze

Uma linha de transmissão de 98 quilômetros, com 232 torres, vai conectar a operação da Mineração Rio do Norte (MRN), em Porto Trombetas, no oeste do Pará, ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O empreendimento, que atravessa áreas de difícil acesso na Amazônia, tem expectativa de reduzir em 90% as emissões de gases de efeito estufa associadas à geração de energia utilizada pela empresa.
O Projeto Linha de Transmissão (PLT) integra os investimentos da mineradora para modernizar a operação e preparar a continuidade da produção de bauxita nas próximas décadas. Com tensão de 230 quilovolts (kV), a estrutura foi planejada para superar desafios logísticos, ambientais e de engenharia característicos da região amazônica.
“Esta linha representa uma mudança de patamar para a MRN. Não estamos falando apenas de uma obra de engenharia, mas de uma infraestrutura estratégica que fortalece a segurança energética, reduz significativamente nossa pegada de carbono e cria condições para sustentar o futuro da companhia”, afirma Leonardo Paiva, gerente-geral de Implantação de Projetos da MRN.
Travessia do Rio Trombetas concentra desafios de engenharia
Um dos trechos mais complexos do empreendimento é a travessia de 5,2 quilômetros sobre o Rio Trombetas, sustentada por cinco estruturas de grande porte, entre as maiores torres de transmissão já construídas no Brasil, segundo a empresa.
As dimensões das estruturas são necessárias para vencer as distâncias entre os pontos de sustentação dos cabos e manter a altura de segurança exigida para a navegação, considerando também a ação dos ventos e as cargas estruturais.
De acordo com Sérgio Reis, gerente do Departamento de Construção da MRN, a travessia concentra cerca de 50% do concreto, do aço e das estruturas metálicas previstos para o projeto.
A execução também exige atenção à variação do nível do rio, às características do solo, às restrições de acesso e à preservação da vegetação. Para viabilizar a obra, materiais, equipamentos e estruturas foram transportados por rodovias, hidrovias e acessos terrestres até os pontos de montagem.
“Cada decisão de engenharia precisou considerar simultaneamente desempenho, segurança, logística e respeito às características ambientais da região. O PLT demonstra a capacidade da MRN de executar um empreendimento de alta complexidade em plena Amazônia”, afirma Reis.
Em 2026, o projeto recebeu o Termo de Aceite Final – Excelência Operacional, reconhecimento que, segundo a companhia, atesta o atendimento aos padrões de qualidade, segurança e desempenho estabelecidos para o empreendimento.
Subestação terá tecnologia compacta
Parte da infraestrutura é a Subestação Saracá, que utilizará a tecnologia Gas Insulated Switchgear (GIS), sistema de equipamentos elétricos isolados a gás. A solução é mais compacta e protegida das condições climáticas e pode ocupar até 90% menos espaço do que uma instalação convencional, conforme a MRN.
A subestação contará com dez módulos: quatro de 230 kV e seis de 69 kV.
Em outubro de 2025, uma equipe da mineradora realizou uma missão técnica à fábrica da CHINT, em Xangai, na China, responsável pelo fornecimento dos módulos. A visita permitiu acompanhar a fabricação, os testes e os procedimentos de controle de qualidade, além de verificar o cronograma de entrega e a conformidade dos equipamentos com os requisitos técnicos do projeto.
“Buscamos referências internacionais e acompanhamos de perto a fabricação dos componentes para garantir o atendimento aos requisitos do projeto”, afirma Guilherme Bomfim, líder de Projeto da MRN.
Após a visita, a empresa atualizou o planejamento de fabricação e estabeleceu um plano de acompanhamento da produção, dos testes de aceitação em fábrica e do transporte dos equipamentos para o Brasil.
Obra mobilizou mais de 1,1 mil profissionais
O Projeto Linha de Transmissão atingiu o pico de contratações no primeiro trimestre de 2026, quando mais de 1,1 mil profissionais estavam mobilizados. Desse total, 67% eram oriundos do Pará e 49%, de Oriximiná, município onde está localizada a operação da MRN.
A implantação também envolve 19 comunidades situadas na área de influência direta do empreendimento. Segundo a companhia, foram realizadas consultas, reuniões e diagnósticos socioambientais para identificar impactos, esclarecer dúvidas e definir iniciativas alinhadas às prioridades dos moradores.
Entre as ações está o Programa de Visitas, criado a partir do interesse das comunidades em conhecer as operações da empresa e as etapas de implantação da linha. A iniciativa permite a participação de estudantes, lideranças e moradores em atividades de aproximação com o empreendimento e de acompanhamento das ações ambientais e sociais.
Monitoramento ambiental acompanha implantação
A obra é acompanhada por programas de gestão socioambiental que incluem monitoramento e resgate de fauna e flora, controle de resíduos e medidas para reduzir impactos sobre rios, lagos, igarapés, solo e vegetação nativa.
O planejamento prevê limitar as intervenções às áreas necessárias para a instalação das torres, dos acessos e da faixa de segurança da linha. Também estão previstas medidas de estabilização do solo, recomposição da vegetação e recuperação de áreas utilizadas temporariamente durante os trabalhos.
Na travessia do Rio Trombetas, o projeto considera os requisitos técnicos relacionados à navegação e à proteção dos recursos hídricos.
Linha integra investimentos para continuidade da produção
A conexão ao Sistema Interligado Nacional faz parte da estratégia da MRN para modernizar a operação, aumentar a eficiência e reduzir a intensidade de carbono da produção de bauxita. A infraestrutura também está associada ao planejamento de longo prazo da empresa, que inclui o Projeto Novas Minas (PNM), voltado à continuidade das atividades por mais 15 anos.
Os empreendimentos possuem processos próprios de licenciamento e autorização.
Em 2025, a MRN produziu 12,8 milhões de toneladas de bauxita, o equivalente a 36% da produção nacional. No mesmo ano, a empresa investiu R$ 810,9 milhões, recolheu R$ 389,7 milhões em tributos e realizou R$ 727,5 milhões em compras no Pará.
Com 47 anos de atuação na Amazônia, a mineradora aposta na nova infraestrutura de transmissão como parte da preparação de suas operações para as próximas décadas, em um cenário de busca por maior eficiência energética e redução das emissões associadas à atividade industrial.
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