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'Tapete de flores' transforma a paisagem do Deserto do Atacama após chuvas históricas

Fenômeno conhecido como "deserto florido" é impulsionado pelo El Niño e deve atingir seu ápice em outubro, cobrindo cerca de 15 mil hectares de uma das regiões mais secas do planeta.

Edinei Campos

Por Edinei Campos

Redacao Amazonia Onze

30 de set. de 2026
'Tapete de flores' transforma a paisagem do Deserto do Atacama após chuvas históricas

Foto: AFP

Um espetáculo de cores e vida tomou conta do Deserto do Atacama, no norte do Chile. Considerado o deserto não polar mais seco do mundo, a região viu suas dunas e planícies áridas se transformarem em um extenso "tapete de flores" colorido após chuvas de inverno atípicas e abundantes, provocadas pelo fenômeno climático El Niño.

A paisagem vibrante tem atraído dezenas de turistas à beira das estradas para registrar o contraste único entre o tom violeta de espécies como os suspiros brancos e os pés de guanaco, o vermelho do pôr do sol e, com sorte, arcos-íris no horizonte.

Precipitação recorde e o despertar da vida

O Deserto do Atacama estende-se por aproximadamente 1.600 quilômetros ao longo da costa do Pacífico sul-americano, a oeste da Cordilheira dos Andes. Sob o solo árido, milhões de sementes e bulbos de cerca de 200 espécies vegetais permanecem adormecidos durante todo o ano, aguardando umidade suficiente para germinar.

Neste inverno austral, no entanto, os acumulados de chuva ultrapassaram os 180 milímetros em algumas localidades — volume histórico para a região.

"São quantidades muito elevadas que nunca haviam sido registradas antes. A água conseguiu infiltrar-se mais profundamente no solo e desencadeou o ciclo de germinação de plantas que dependem de chuvas excepcionais", explica César Pizarro, chefe da seção de conservação da biodiversidade da Corporação Nacional Florestal do Chile (Conaf) no Atacama.

De acordo com projeções da Conaf, o pico da floração ocorrerá em outubro, cobrindo cerca de 15.000 hectares — uma das maiores extensões já registradas na história do fenômeno natural.

### O papel do El Niño e o impacto ambiental

O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas da superfície no Pacífico equatorial central e oriental, alterando os padrões de vento e chuva em diversas partes do globo. Entre os dias 16 e 22 de julho, o aumento da evaporação no Oceano Pacífico resultou em tempestades torrenciais no norte do Chile. Apesar da beleza da floração, a tempestade causou severos estragos na época, deixando 13 mortos e cerca de 4.000 casas danificadas ou destruídas.

Especialistas ressaltam que a relação entre o El Niño e o deserto florido não é automática: além do volume de água, a resposta da vegetação depende da combinação de temperatura, radiação solar e topografia local.

Ainda assim, o impacto ecológico da floração é profundo. Segundo Pizarro, o ecossistema que se forma vai muito além da estética visual:

  • Polinização: Abelhas e outros insetos são atraídos pelas flores, garantindo a reprodução vegetal.
  • Fertilização do solo: Besouros alimentam-se dos restos vegetais e enriquecem a areia com nitrogênio e fósforo através de seus excrementos, preparando o terreno para futuras chuvas.
  • Fauna ativa: Répteis, aves, caracóis e pequenos mamíferos reaparecem para integrar a cadeia alimentar temporária.

"O El Niño, embora gere grande preocupação pelos impactos negativos em muitos lugares, também gera ou ativa a vida", pontua o especialista.

Preservação e turismo consciente

Com a expectativa de receber milhares de visitantes nos próximos meses para acompanhar o auge da floração, as autoridades locais reforçam os cuidados com a preservação do parque natural, situado a cerca de 800 quilômetros ao norte de Santiago.

"Para o nosso país, o deserto florido é motivo de orgulho, faz parte do nosso patrimônio", conclui Pizarro. "Embora existam vários desertos que florescem quando chove, a extensão territorial e a diversidade de espécies encontradas aqui são únicas no mundo."

Fonte: NTN24/VENEZUELA

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Cobertura: Mundo

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